23 de novembro de 2018

O empoderamento das minorias


Antonio Gramsci foi um intelectual italiano e um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI) em 1921, percebeu que a implantação do comunismo nos países do Ocidente não deveria seguir o modelo russo ou leninista, do uso da violência para conquistar ou tomar o Estado, mas, sim, ao contrário, primeiro conquistar o Estado e depois, então, a aplicação da violência para finalizar o processo.

Nessa concepção, destaca-se o valor atribuído ao seu entendimento de Sociedade Civil como sendo o espaço social onde deve ocorrer a luta pela hegemonia, para que a classe subalterna passe a ser a Classe Dirigente.

Um grupo social da classe dirigente, assumindo o controle da Sociedade Política (Estado), permite que o partido da Classe Dirigente seja posicionado acima do Estado.

A manobra simples, lenta e gradual utiliza-se dos instrumentos legais e políticos da democracia para, de forma pacífica e sutil, minar e enfraquecer as principais trincheiras democráticas: Executivo, Legislativo, Judiciário, Forças Armadas, Religião e Família.

Usando a propaganda subliminar, o populismo e a demagogia, as consciências são entorpecidas e é criada a sociedade massificada para a luta pela hegemonia.

Isso significa realizar uma transformação intelectual e moral da sociedade pelo abandono de suas tradições, usos e costumes, mudando valores culturais de forma progressiva e contínua, introduzindo novos conceitos que, absorvidos pelas pessoas, criam o “senso comum modificado”, gerando uma consciência homogênea construída com inteligência e sem aparente conteúdo ideológico, buscando a identificação com os anseios e necessidades não atendidas pelo poder público.

Essa hegemonia cultural é um conceito formulado para descrever o tipo de dominação ideológica de uma classe social sobre outra, particularmente da burguesia sobre o proletariado, o que se manifesta, por exemplo, quando os interesses da alta burguesia de um país são identificados aos interesses de toda sociedade do país ou quando a historiografia se concentra apenas em grupos ou indivíduos de elite.

Este pensamento passou a permear o tecido social brasileiro a partir de 1º de janeiro de 1995 com a posse de Fernando Henrique Cardoso. Intelectual típico e adequado para dar início a implementação das ideias de Gramisci em um país que poderia ser a referência para a experiência desta ideologia na América Latina.

De lá para cá foi ocorrendo uma doutrinação sutil e inteligente, que vem escorrendo pelas escolas, universidade, show business, pela literatura, teatro e cinema. Ou seja, a doutrinação para o “empoderamento” cultural desta camada burguesa da sociedade com grande capacidade de influenciar o que Gramisci  chamava de classe subalter
na.

Quando observamos o discurso social e político de grande parte destes grupos, podemos observar de forma diáfana o quanto avançou esta nuvem da doutrinação, principalmente nos mais jovens e que não são alimentados de básicos conhecimentos de história.

Segundo o teórico italiano, caberia aos revolucionários agir, atuar praticamente. No entanto, para uma atuação eficaz, eles precisariam superar as "ideologias parciais e falaciosas", através de um processo no qual deveriam se apoiar nas ciências e na filosofia, buscando o máximo de "objetividade" no conhecimento, e encaminhando então, na ação, a realização prática efetiva da "unificação cultural do gênero humano".

A consequência deste indicativo de Gramisci é a exaltação às igualdades com a unificação das “minorias” em um mesmo caldo com as “maiorias” de tal modo que valores minoritários e difusos pudessem absorver e diluir valores tradicionais de ética e moral, por exemplo.

Felizmente, creio que boa parte da sociedade brasileira conseguiu enxergar esta manobra, não talvez de forma direta, mas intuitiva e descartou esses conceitos da moderna esquerda comunista, para definitivamente arredar do Brasil esta experiência exótica que só funciona na cabeça de intelectuais psicopatas e que pelas fantasias idealistas de um mundo perfeito, são capazes de cooptar jovens desnutridos de informação e cultura básica, como foi o caso do Estado Islâmico na Europa anos atrás.

12 de novembro de 2018

O Poeta e eu


http://silolirico.blogspot.com/Depois de muitos anos, a internet me propiciou reencontra um velho amigo, que conheci no início de minha profissão de engenheiro, quando tive a oportunidade de trabalhar a seu lado.

Ele revelou ao mundo sua natureza de poeta e por isso foi exaltado a membro da Academia Catarinense de Letras. Laerte Silvio Tavares. Modestamente se diz um engenheiro construtor de versos.

Reencontrei-o quando de sua nomeação para o assento na Cadeira 16.

Seu blog Silo Lírico (http://silolirico.blogspot.com/) foi a porta que reabriu nosso contato.

Laerte, como eu o chamo, é um magistral escritor de décimas e uma alma sensível.

Possui vários livros em sua biografia.

Fala sempre de sua terra, de seus amigos e suas paixões. De uma memória invejável, é capaz de lembrar-se de pessoas e fatos que para muitos ficam na poeira do tempo.

Não poderia deixar de registrar essa enorme alegria e recomendar aqueles que têm a paciência ou a generosidade de visitar este colóquio, que deem uma mirada também em seu blog.

Lá encontrarão coisas magnificas para deleite da alma.

1 de novembro de 2018

O holocausto brasileiro


Entre 1940 e 1945, quando foi libertado pelos russos, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, maior complexo deste tipo do nacional-socialismo, matou 1,3 milhões de pessoas entre judeus, russos, poloneses, húngaros, membros da resistência, intelectuais, homossexuais, ciganos, etc.

Auschwitz – Birkenau não era um campo de trabalho como os demais, mas foi construído com a função de exterminar os prisioneiros que entravam nele. Para isso, foi equipado com cinco câmaras de gás e fornos crematórios, cada um deles com capacidade para 2.500 prisioneiros.

Foram 5 anos de absoluta crueldade perpetrado pelo NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) no período de governo nazista na Alemanha, ao que chamavam de “Solução Final”.

Entre 2012 e 2017, período de governo do PT (Partido dos Trabalhadores) no Brasil, morreram 1,35 milhões de crianças durante o primeiro mês de vida por conta de condições como a prematuridade, que poderia ser prevenida por meio do acesso à água tratada, ao saneamento e a unidades de saúde, segundo o Instituto Trata Brasil. São os mesmos 5 anos da tragédia de Birkenau.

São 361 mil crianças com menos de 5 anos que morrem por ano em razão de diarreia, como resultado do baixo acesso à água tratada, ao saneamento e a condições adequadas de higiene.
Em cinco anos temos um total de 1,8 milhões de crianças.

Este é só um exemplo quando contextualizamos as ações perpetradas por governos oportunistas que tomam as populações pelo que se chama propaganda ideológica.

A catástrofe alemã terminou há 73 anos, mas a brasileira continua ocorrendo até nossos dias.

Convenhamos, não há ideologia que ampare estes holocaustos.

31 de outubro de 2018

A indústria brasileira e o mimimi


“Vamos salvar a indústria brasileira apesar dos industriais” diz  Paulo Guedes.

Esta é uma das frases mais lúcidas ditas por um brasileiro nos últimos 60 anos.


É preciso dar um basta nesta mania dos industriais brasileiros não querem competir e correrem para o governo, como crianças mimadas, pedirem a sua proteção para evitar que seu irmão bata neles.
Tornam-se preguiçosos, incompetentes e frágeis para enfrentarem o mundo real e global.


Todos se socorrem nas medidas protecionistas para se defenderem da competição internacional
Existem três focos principais para a defesa comercial.

O mais comum é o de ações antidumping, que impõem taxas sobre produtos importados por preços “abaixo” do praticado no mercado.

Há também ações contra subsídios. Embora elas possam ser resolvidas internamente, com taxas sobre produtos subsidiados, o campo mais importante de discussão é a Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem regras bem definidas sobre esse tipo de benefício.

Por último, existem ações de salvaguarda, aplicadas para proteger indústrias “frágeis” diante de competidores mais produtivos.

Os direitos antidumpings têm como objetivo evitar que os produtores nacionais sejam prejudicados por importações realizadas a preços considerados como desleal em termos de comércio em acordos internacionais.

No Brasil, hoje, temos 89 produtos protegidos por medidas antidumping São produtos como escovas de cabelo, espelhos, cadeados, louça de mesa, etc.

Não há nenhum sentido em proteger mercados como estes contra a competição internacional.
Qual seria seu peso na balança comercial?

O sucateamento da indústria brasileira tem origem neste tipo de ação perpetrada pelos industriais e governos com mentalidade atrasada ao tempo de nossa reserva de mercado da informática, que liquidou a indústria de hardware no Brasil.

Os industriais podem torcer o nariz para Paulo Guedes, mas ele tem a mais pura razão em dizer o que disse.

30 de outubro de 2018

O jornalismo brasileiro e as padarias


O momento político por que passa o Brasil em 2018 tem sido uma lição para todos nós.

Parece que algo mudou. Talvez seja cedo para dizer isso, mas nesta frase também se esconde uma esperança.

Grandíssima parte do jornalismo brasileiro também deveria mudar, para acompanhar esta brisa.
Nossas escolas de jornalismo formaram nos últimos 30 ou mais anos, não uma legião de sacerdotes da cultura e da informação, mas uma massa uniforme de ideias repetidas.

É hora de mudar. O marxismo gramisciniano é passado já há algum tempo. Nossas universidades pararam de formar pensadores, para formar repetidores de ideias de outros que também não pensam há um bom tempo.

Um cociente coletivo, sim cociente.

A liberdade de pensamento amplo e irreverente deu lugar a seguidores de dogmas “progressistas”.

É uma pena!

Não há mais contra cultura na intelectualidade brasileira. Por incrível que pareça a contracultura aqui é o pensador não alinhado com as velhas teorias de Marx.

O Brasil tem que mudar, mas os jornalistas têm que puxar este cordão. É deles que sempre se esperou a conflagração cultural e intelectual. Mas estão acomodados e pensando todos dentro do mesmo modelo. Todos formados em formas. Como pães de padaria.

Vamos ver se a partir deste momento evolui outra geração no jornalismo que possa pensar com seus próprios teclados. Que não sigam mais os dogmas antiquados do passado. Que criem e que sejam contra cultura.